Porto Alegre, 31 de agosto de 2010.
Lideranças sindicais do funcionalismo público rompem com os três candidatos mais cotados ao governo do Estado, que não foram ao encontro de ontem. Prometem acampar diante da Praça da Matriz qualquer que seja o vencedor da eleição.
O convite para os candidatos ao Piratini foi entregue há 40 dias. Todos aceitaram, segundo a Fessergs (Federação Sindical dos Servidores Públicos no Estado do Rio Grande do Sul). Ontem, nenhum compareceu ao Hotel Embaixador para expor a 600 funcionários, integrantes de 15 entidades representativas, muitos dos quais vieram do interior do Estado. Foi o suficiente para que se espalhassem pelo auditório os cacos dos pratos quebrados. A assessoria da governadora Yeda Crusius alegou que em horário de expediente não cumpre compromissos de campanha. Tarso Genro estava em roteiro na Fronteira Oeste. A coordenação de José Fogaça enviou correspondência às 11h45min de ontem dizendo que ele ficou impossibilitado de participar. O encontro da tarde ainda constava de sua agenda no site, ontem à noite.
Tratamento diferenciado O que também deixou os servidores frustrados foi a presença de Fogaça e Tarso, semana passada, no encontro com o magistério. O presidente da Fessergs, Sérgio Arnoud, utilizou os termos ?indignação, covardia e falta de respeito? ao se referir às ausências. Acrescentou que, nos últimos dias, apelou inúmeras vezes ao senador Paulo Paim para que intercedesse em favor da vinda de Tarso. Não adiantou. Ao final da tarde, no comitê de Fogaça, surgiu forte discussão. Lideranças partidárias criticaram a decisão de não falar com os servidores. Uma versão é de que teria havido acordo com o comitê de Tarso para que nenhum fosse. Difícil de compreender.
Sem ter o que dizer No fundo, a fuga se deu pelo temor de se assumirem promessas e a impossibilidade de cumpri-las. Sem os candidatos, ocorreram exposições de lideranças. Pela primeira vez, os servidores não circunscreveram a pauta ao aumento salarial. Sobre este item, rejeitam apenas as concessões diferenciadas a categorias que ganham mais. A Fessergs vê nessas atitudes o começo de uma guerra entre Poderes. Também criticaram o Bolsa-Copa e outras formas de remuneração temporária, beneficiando alguns e que não se incorporarão à aposentadoria.
Critério político Outro item foi a proposta de benefícios através da meritocracia. Arnoud lembrou que Dilma Rousseff e Tarso já aderiram à ideia. A preocupação das categorias se concentra no fato de que a avaliação será feita por chefias, detentoras de funções gratificadas e cargos em comissão. Quer dizer, as promoções se darão por critério político e não administrativo. A preocupação tem fundamento. No encontro, os servidores também não esconderam o temor sobre o futuro das aposentadorias, porque o fundo previsto para garanti-las ainda não se concretizou.
Fonte: Jornal O SUL - 31/08/2010
Coluna Armando Burd
O SUL - 31.08.2010: Pratos quebrados entre servidores e candidatos
Coluna Armando Burd Lideranças sindicais do funcionalismo público rompem com os três candidatos mais cotados ao governo do Estado, que não foram ao encontro de ontem. Prometem acampar diante da Praça da Matriz qualquer que seja o vencedor da eleição.