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ZH - 10.03.2010 - Quartéis diivididos: Nova oferta salarial irrita militares superiores da BM

10 de março de 2010 | N° 16270 – pág.08 QUARTÉIS DIVIDIDOS Nova oferta salarial irrita militares superiores da BM Oficiais não aceitam ceder parcela de seus ganhos para ampliar aumento na base da corporação No dia em que o governo estadual finalmente amansou soldados e sargentos, foi a vez de despertar a irritação dos oficiais superiores da Brigada Militar. Coronéis disseram que os subalternos desejam confronto. Chegaram a ameaçar a renúncia dos cargos de comando. Otimistas com a nova proposta do governo – que agora retira benefícios dos superiores – representantes dos servidores de nível médio davam de ombros, respondendo que “o problema é deles”. O centro da nova crise instalou-se na oferta salarial que o governo levou aos brigadianos na manhã de ontem. Isso porque o líder do governo na Assembleia, Adilson Troca (PSDB), propôs que os oficiais abrissem mão do valor retroativo a março de 2009. Antes de acabar a explanação, o tucano viu o presidente da Associação dos Oficiais, Jorge Luiz Braga, afirmar que sequer discutiria a questão. Outros oficiais repetiam que, se fosse para soldados comandarem a corporação, deixariam os cargos. O chefe do Comando de Policiamento Metropolitano, coronel Carlos Bondan, disse que a proposta salarial “coloca uma carreira contra a outra”. – Há uma relação de confiança entre comandante e subordinado que é imprescindível. Um projeto não pode atentar contra isso – disse Bondan. Representantes dos militares de nível médio – que compreende de soldado a tenente –, enfim se mostravam abertos à proposta do governo. Mas não garantiram que será acolhida, porque precisam submetê-la a uma assembleia. – Antes diziam que os radicais éramos nós. Eles (oficiais) ficam dizendo se aceitam ou não, mas isso é problema deles – disse o secretário-geral da Associação dos Servidores de Nível Médio da BM, Ricardo Agra. Membros do Piratini estudam encaminhar a proposta mesmo sem o aval dos oficiais. Conforme o líder da bancada do PT, Elvino Bohn Gass, a oposição votará a favor do projeto desde que soldados o aceitem. Para fortalecer a posição dos soldados, surgiu ontem um novo apoio, do sindicato que representa escrivães, inspetores e investigadores da Polícia Civil. Isso porque a matriz, que o governo engorda com a nova proposta, atinge todos os servidores da Segurança. Fonte: Jornal Zero Hora – 10/03/2010
10 de março de 2010 | N° 16270 – pág.08

QUARTÉIS DIVIDIDOS

Nova oferta salarial irrita militares superiores da BM

Oficiais não aceitam ceder parcela de seus ganhos para ampliar aumento na base da corporação
No dia em que o governo estadual finalmente amansou soldados e sargentos, foi a vez de despertar a irritação dos oficiais superiores da Brigada Militar.

Coronéis disseram que os subalternos desejam confronto. Chegaram a ameaçar a renúncia dos cargos de comando. Otimistas com a nova proposta do governo – que agora retira benefícios dos superiores – representantes dos servidores de nível médio davam de ombros, respondendo que “o problema é deles”.

O centro da nova crise instalou-se na oferta salarial que o governo levou aos brigadianos na manhã de ontem. Isso porque o líder do governo na Assembleia, Adilson Troca (PSDB), propôs que os oficiais abrissem mão do valor retroativo a março de 2009.

Antes de acabar a explanação, o tucano viu o presidente da Associação dos Oficiais, Jorge Luiz Braga, afirmar que sequer discutiria a questão. Outros oficiais repetiam que, se fosse para soldados comandarem a corporação, deixariam os cargos. O chefe do Comando de Policiamento Metropolitano, coronel Carlos Bondan, disse que a proposta salarial “coloca uma carreira contra a outra”.

– Há uma relação de confiança entre comandante e subordinado que é imprescindível. Um projeto não pode atentar contra isso – disse Bondan.

Representantes dos militares de nível médio – que compreende de soldado a tenente –, enfim se mostravam abertos à proposta do governo. Mas não garantiram que será acolhida, porque precisam submetê-la a uma assembleia.

– Antes diziam que os radicais éramos nós. Eles (oficiais) ficam dizendo se aceitam ou não, mas isso é problema deles – disse o secretário-geral da Associação dos Servidores de Nível Médio da BM, Ricardo Agra.

Membros do Piratini estudam encaminhar a proposta mesmo sem o aval dos oficiais. Conforme o líder da bancada do PT, Elvino Bohn Gass, a oposição votará a favor do projeto desde que soldados o aceitem.

Para fortalecer a posição dos soldados, surgiu ontem um novo apoio, do sindicato que representa escrivães, inspetores e investigadores da Polícia Civil. Isso porque a matriz, que o governo engorda com a nova proposta, atinge todos os servidores da Segurança.

Fonte: Jornal Zero Hora – 10/03/2010