ZERO HORA - 26 de janeiro de 2010 | N° 16227
PÁGINA 10 | ROSANE DE OLIVEIRA
Ponte entre dois mundos
Dez anos depois do 1º Fórum Social Mundial, o presidente Lula desembarca hoje em Porto Alegre na condição de líder que conseguiu estabelecer uma ponte com o Fórum Econômico Mundial e nos próximos dias receberá em Davos, na Suíça, o título de estadista global. É uma situação bem diferente da de 2003, quando foi duramente criticado pelos organizadores do Fórum Social Mundial por ir de Porto Alegre praticamente sem escala para Davos.
Estrela do primeiro Fórum, quando ainda era candidato, Lula presidente decepcionou a esquerda que esperava dele ações mais radicais e causou desconforto em antigos companheiros ao indicar para a presidência do Banco Central o banqueiro Henrique Meirelles, eleito deputado federal pelo PSDB em 2002. Tanto que em 2005 perdeu para Hugo Chávez o posto de ídolo dos participantes do FSM. No Gigantinho, onde estará novamente no final da tarde de hoje, Lula chegou a ser vaiado pelos militantes que aplaudiram Chávez incontáveis vezes.
No último ano de mandato, o presidente brasileiro coleciona títulos de reconhecimento de sua liderança no continente, enquanto Chávez enfrenta uma crise atrás da outra, embora continue sendo um ícone para militantes de esquerda dentro e fora da América Latina.
Francisco Whitaker, um dos idealizadores do Fórum Social Mundial e crítico da decisão do presidente de ir à Suíça em 2003, reconheceu ontem que Lula tinha razão: ele conseguiu se fazer ouvir pelos líderes dos países ricos e Davos se obrigou a rever sua agenda. A mudança não pode ser creditada exclusivamente ao presidente brasileiro, que estreou propondo aos ricos um programa “Fome Zero” mundial: a própria crise global fez muita gente rever seus conceitos. Do “Fome Zero” nem o governo brasileiro fala mais, embora Lula possa exibir para o mundo os dados que mostram a redução da pobreza nos últimos anos.
Fonte: Jornal Zero Hora - Página 10 - 26/01/2010
ZH- 26.01.10 - Página 10 - Ponte entre dois mundos
ZERO HORA - 26 de janeiro de 2010 | N° 16227 PÁGINA 10 | ROSANE DE OLIVEIRA Ponte entre dois mundos Dez anos depois do 1º Fórum Social Mundial, o presidente Lula desembarca hoje em Porto Alegre na condição de líder que conseguiu estabelecer uma ponte com o Fórum Econômico Mundial e nos próximos dias receberá em Davos, na Suíça, o título de estadista global. É uma situação bem diferente da de 2003, quando foi duramente criticado pelos organizadores do Fórum Social Mundial por ir de Porto Alegre praticamente sem escala para Davos. Estrela do primeiro Fórum, quando ainda era candidato, Lula presidente decepcionou a esquerda que esperava dele ações mais radicais e causou desconforto em antigos companheiros ao indicar para a presidência do Banco Central o banqueiro Henrique Meirelles, eleito deputado federal pelo PSDB em 2002. Tanto que em 2005 perdeu para Hugo Chávez o posto de ídolo dos participantes do FSM. No Gigantinho, onde estará novamente no final da tarde de hoje, Lula chegou a ser vaiado pelos militantes que aplaudiram Chávez incontáveis vezes. No último ano de mandato, o presidente brasileiro coleciona títulos de reconhecimento de sua liderança no continente, enquanto Chávez enfrenta uma crise atrás da outra, embora continue sendo um ícone para militantes de esquerda dentro e fora da América Latina. Francisco Whitaker, um dos idealizadores do Fórum Social Mundial e crítico da decisão do presidente de ir à Suíça em 2003, reconheceu ontem que Lula tinha razão: ele conseguiu se fazer ouvir pelos líderes dos países ricos e Davos se obrigou a rever sua agenda. A mudança não pode ser creditada exclusivamente ao presidente brasileiro, que estreou propondo aos ricos um programa “Fome Zero” mundial: a própria crise global fez muita gente rever seus conceitos. Do “Fome Zero” nem o governo brasileiro fala mais, embora Lula possa exibir para o mundo os dados que mostram a redução da pobreza nos últimos anos. Fonte: Jornal Zero Hora - Página 10 - 26/01/2010