Ao se manifestar contra o reajuste dos magistrados gaúchos, o secretário estadual do Planejamento, Mateus Bandeira, provocou um incêndio que os aliados tentam agora apagar.
Líderes das bancadas governistas na Assembleia repetem em coro que a opinião de Bandeira foi estritamente pessoal. Assim, evitam o compromisso de votar contra o projeto – que aumentaria o salário de um desembargador, por exemplo, de R$ 22 mil para R$ 24 mil – e blindam a governadora Yeda Crusius de uma indisposição com o Judiciário.
– É a opinião dele, só dele e de mais ninguém. O secretário mesmo confirmou isso – ressalta o líder do governo na Assembleia, deputado Pedro Westphalen (PP).
Bandeira provocou indignação no Judiciário ao afirmar, em artigo publicado na edição de domingo de Zero Hora, que “cada real gasto com um desembargador será um real a menos para um brigadiano ou professor”. O texto exalta o pacote divulgado na semana passada pelo governo – que, entre outras medidas, eleva o piso salarial de soldados e professores, além de instituir um 14º salário pelo conceito conhecido como meritocracia – em que o recebimento da vantagem está condicionado ao atingimento de metas estabelecidas pelo governo.
– O Judiciário calcula quanto quer de aumento, que móveis vai comprar, quais investimentos vai fazer, quantos computadores quer. É preciso enxergar outras prioridades – afirma Nelson Marchezan Jr. (PSDB), um dos únicos deputados da base que aplaudem o artigo de Bandeira.
Líder da bancada do PMDB, Gilberto Capoani prefere afirmar que a aversão do secretário ao reajuste dos magistrados jamais encontrou eco no governo. Seria um aumento justo, diz o parlamentar, como também seriam os de militares e professores. Também não reconhecem Bandeira como voz do governo os líderes do PSDB, Adilson Troca, e do PTB, Iradir Pietroski.
O secretário disse que não consultou a governadora. Ele se defende afirmando ter recebido centenas de e-mails de servidores parabenizando-o “por defender os que ganham menos”. Mas o líder do PT na Assembleia, deputado Elvino Bohn Gass, aproveita o momento para comprometer o governo através da fala de Bandeira.
– Como secretário de Estado, ele fala em nome da governadora, sim. E vamos cobrar dela essa nova visão, de ajudar os pequeninhos – diz o parlamentar.
Representante dos funcionários do quadro geral, o presidente da Federação Sindical dos Servidores Públicos, Sérgio Arnoud, demonstra empolgação com as declarações de Bandeira:
– Foi corajosa a postura dele, que decorre da pressão que vínhamos fazendo. Agora, temos uma forte expectativa de sermos contemplados.
Fonte: Jornal ZERO HORA - Pág. 08 - 10/11/2009