Base aliada garantiu a mudança nos procedimentos usados para ascensão de oficiais, ampliando o peso dado a análises subjetivas
Em uma sessão marcada por vaias, pegadinhas e ânimos exaltados, foi aprovado ontem, na Assembleia Legislativa, o projeto de lei que altera os critérios de promoção dos oficiais da Brigada Militar. Com isso, o peso da nota subjetiva dada aos aspirantes aos postos de major e tenente-coronel será triplicado, ampliando a chance de “caronas” na corporação – estratégia utilizada para acelerar a ascensão de determinados candidatos na carreira.
As “caronas”, como ZH revelou na edição de segunda-feira, tornaram-se comuns no processo a partir de 2006. Desde então, cabe a uma subcomissão designada pelo comandante avaliar as características pessoais de cada concorrente.
Em abril, quando deve ser divulgada a nova leva de promovidos da gestão Tarso Genro, o poder da subcomissão já deverá estar aditivado. A nota máxima, que hoje é quatro, passará a seis e ainda será multiplicada por três, chegando a 18. Em contrapartida, a pontuação dada por um doutorado, por exemplo, continuará em 1,6.
Enviado em regime de urgência à Assembleia, o projeto vinha causando controvérsia desde a última semana. Ontem, os aliados decidiram votar a favor, mas apenas dois deles – Raul Pont e Jeferson Fernandes, ambos do PT – subiram à tribuna. Foram vaiados por cinco dezenas de oficiais nas galerias.
– Se mais deputados da base não estão se pronunciando, o motivo é óbvio. A oposição quer apenas provocar debate – disse Fernandes.
Às 16h30min, na tentativa de suspender a sessão, a oposição deu o troco – mas sem êxito. Surpreendeu os governistas ao pedir a recontagem dos parlamentares para verificar quórum. A manobra, relativamente comum no parlamento, causou correria de assessores atrás de deputados que estavam dispersos no cafezinho, no salão Júlio de Castilhos – e até no banheiro.
No fim da tarde, em uma última tentativa, a oposição apresentou cinco emendas. Não teve sucesso. O líder do governo, Valdeci Oliveira (PT), pediu preferência à votação do texto da proposta, ignorando as emendas. Indignados, os opositores decidiram abandonar o plenário.
– Não vamos dar respaldo a esse atropelamento – criticou o líder da bancada do PMDB, Márcio Biolchi.
A votação durou menos de cinco minutos. De costas, o oficialato protestou em vão. Resultado: 28 votos a zero.
Fonte: Jornal Zero Hora - 07/03/2012
ZH - 07/03/2012: Assembleia aprova novos critérios
Base aliada garantiu a mudança nos procedimentos usados para ascensão de oficiais, ampliando o peso dado a análises subjetivas Em uma sessão marcada por vaias, pegadinhas e ânimos exaltados, foi aprovado ontem, na Assembleia Legislativa, o projeto de lei que altera os critérios de promoção dos oficiais da Brigada Militar. Com isso, o peso da nota subjetiva dada aos aspirantes aos postos de major e tenente-coronel será triplicado, ampliando a chance de “caronas” na corporação – estratégia utilizada para acelerar a ascensão de determinados candidatos na carreira. As “caronas”, como ZH revelou na edição de segunda-feira, tornaram-se comuns no processo a partir de 2006. Desde então, cabe a uma subcomissão designada pelo comandante avaliar as características pessoais de cada concorrente. Em abril, quando deve ser divulgada a nova leva de promovidos da gestão Tarso Genro, o poder da subcomissão já deverá estar aditivado. A nota máxima, que hoje é quatro, passará a seis e ainda será multiplicada por três, chegando a 18. Em contrapartida, a pontuação dada por um doutorado, por exemplo, continuará em 1,6. Enviado em regime de urgência à Assembleia, o projeto vinha causando controvérsia desde a última semana. Ontem, os aliados decidiram votar a favor, mas apenas dois deles – Raul Pont e Jeferson Fernandes, ambos do PT – subiram à tribuna. Foram vaiados por cinco dezenas de oficiais nas galerias. – Se mais deputados da base não estão se pronunciando, o motivo é óbvio. A oposição quer apenas provocar debate – disse Fernandes. Às 16h30min, na tentativa de suspender a sessão, a oposição deu o troco – mas sem êxito. Surpreendeu os governistas ao pedir a recontagem dos parlamentares para verificar quórum. A manobra, relativamente comum no parlamento, causou correria de assessores atrás de deputados que estavam dispersos no cafezinho, no salão Júlio de Castilhos – e até no banheiro. No fim da tarde, em uma última tentativa, a oposição apresentou cinco emendas. Não teve sucesso. O líder do governo, Valdeci Oliveira (PT), pediu preferência à votação do texto da proposta, ignorando as emendas. Indignados, os opositores decidiram abandonar o plenário. – Não vamos dar respaldo a esse atropelamento – criticou o líder da bancada do PMDB, Márcio Biolchi. A votação durou menos de cinco minutos. De costas, o oficialato protestou em vão. Resultado: 28 votos a zero. Fonte: Jornal Zero Hora - 07/03/2012