Passado o primeiro mês do governo Tarso Genro, desponta a primeira rusga na relação com os servidores estaduais. O descontentamento emerge em uma categoria relativamente pequena, a dos técnicos-científicos, mas serve de alerta para um foco de tensão que tende a crescer nos próximos meses, quando os demais servidores também começarem a pressionar por reajuste.
No caso específico dos 5.352 técnicos-científicos, o sentimento é de traição, por terem descoberto que a Procuradoria-Geral do Estado entrou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade contra o abono salarial de R$ 1.380, que havia sido aprovado para a categoria pela Assembleia no ano passado, com apoio da bancada do PT. O que mais os incomoda é que em dezembro do ano passado, quando eles lotavam as galerias da Assembleia para pressionar os parlamentares a garantir uma emenda para assegurar o aumento que Yeda Crusius se recusava a pagar, alegando vício de origem no projeto, a então deputada Stela Farias foi à tribuna para garantir que o governo não entraria na Justiça contra o pagamento – e que, portanto, a emenda seria desnecessária. – Não entraremos na Justiça, reconhecemos este pagamento e vamos viabilizá-lo – afirmou, em nome do futuro governo.
Quando a nova gestão tomou posse, a secretária da Administração recebeu os servidores para negociar e renovou a disposição em enviar um novo projeto à Assembleia, para driblar a inconstitucionalidade. Mas a Adin veio antes de qualquer proposta oficial.
O maior imbróglio é que, de posse do caixa, o governo fez as contas e percebeu que o pagamento custaria mais de R$ 100 milhões, que o Estado não teria condições de bancar agora. Hoje, uma reunião discutirá o tema na Casa Civil, mas secretários já admitem que o novo projeto pode não ser imediato.
Ainda que o governo esteja só começando, é preciso cuidado para que a prática não desconstrua o discurso. Cada palavra será cobrada, e o grau de cobrança será proporcional às expectativas geradas. Em todas as áreas
Fonte: Jornal Zero Hora - pág. 10 - 08/02/2011
ZH - 08/02/2011: Foco de tensões
Passado o primeiro mês do governo Tarso Genro, desponta a primeira rusga na relação com os servidores estaduais. O descontentamento emerge em uma categoria relativamente pequena, a dos técnicos-científicos, mas serve de alerta para um foco de tensão que tende a crescer nos próximos meses, quando os demais servidores também começarem a pressionar por reajuste. No caso específico dos 5.352 técnicos-científicos, o sentimento é de traição, por terem descoberto que a Procuradoria-Geral do Estado entrou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade contra o abono salarial de R$ 1.380, que havia sido aprovado para a categoria pela Assembleia no ano passado, com apoio da bancada do PT. O que mais os incomoda é que em dezembro do ano passado, quando eles lotavam as galerias da Assembleia para pressionar os parlamentares a garantir uma emenda para assegurar o aumento que Yeda Crusius se recusava a pagar, alegando vício de origem no projeto, a então deputada Stela Farias foi à tribuna para garantir que o governo não entraria na Justiça contra o pagamento – e que, portanto, a emenda seria desnecessária. – Não entraremos na Justiça, reconhecemos este pagamento e vamos viabilizá-lo – afirmou, em nome do futuro governo. Quando a nova gestão tomou posse, a secretária da Administração recebeu os servidores para negociar e renovou a disposição em enviar um novo projeto à Assembleia, para driblar a inconstitucionalidade. Mas a Adin veio antes de qualquer proposta oficial. O maior imbróglio é que, de posse do caixa, o governo fez as contas e percebeu que o pagamento custaria mais de R$ 100 milhões, que o Estado não teria condições de bancar agora. Hoje, uma reunião discutirá o tema na Casa Civil, mas secretários já admitem que o novo projeto pode não ser imediato. Ainda que o governo esteja só começando, é preciso cuidado para que a prática não desconstrua o discurso. Cada palavra será cobrada, e o grau de cobrança será proporcional às expectativas geradas. Em todas as áreas Fonte: Jornal Zero Hora - pág. 10 - 08/02/2011